11 juillet 2006

Music: IMPEACH Mr BUSH (by PEACHES)


The group PEACHES has just brought out their third and new album "Impeach Mr Bush". Great name... same old contestatarian spirit! I like mostly the tracks "Downtown", & particularly the SMD Remix, and "Tent in your pants".

TRACK LIST 01 Fuck Or Kill 02 Tent In Your Pants 03 Hit It Hard 04 Boys Wanna Be Her 05 DownTown 06 Two Guys (For Every Girl) 07 Rock The Shocker 08 You Love It 09 Slippery ick 10 Get It 11 Give ëEr 12 Do Ya 13 Stick It.

08 juillet 2006

Music: Catclub is cool!



Here some pictures from yesterday's Catclub party. The music was excellent and so was the venue, a southern atmosphere, by a little port in the canal with small boats...
The DJs were very good, I think they are really on top of the present wave... very trendy, minimal electro house, I would say. Not really techno. Lindstrom, Kompakt style and others alike... Bubble is a young french guy from Lille and he was very fresh and cool. Check his website from where you can download some DJ sets. He was followed by Marc Romboy who was also excellent, a very cool wave, very well programmed - check his website from where you can also dowload tracks. I didn't make it to listen to LadyJane, hélas... but it was already late & I didn't want to ruin my saturday. But I already know her - check her website. So in conclusion a pleasant party with a cool young crowd (I was definitely one of the oldest ones though...). Hopefully they'll repeat the venue... It's better than the caves of Barrio in central Brussels.

07 juillet 2006

Music: CATCLUB party in Brussels, 7 July


This Friday 7 July (from 11 pm) there is CATCLUB party in Brussels! This time CATCLUB goes to the newly revamped Brussels Royal Yacht Club. It seems that the place is one of the nicest spots in Brussels, so I definitely will check that. There's an amazing terrace with view on the canal.

For this new party DJ LADY JANE (she is CATCLUB…) has invited MARC ROMBOY, a new wonderboy of the electronic music scene, who has just brought out a CD “Gemini” on
systematic recordings, his own label. He has also collaborated with great musicians like Booka Shades, Martin Landsky and John Dalback (for instance “Everyday of my life” - Booka shade vs Marc Romboy).

To check the way to the venue see
www.catclub.be

Cidadania: Lei da paridade

Claro que em Portugal uma lei da paridade não poderia ter sido nunca aprovada sem que alguns (conservadores, velhos do Restelo e saudosos do tempo da outra senhora) se manifestassem. Seria fácil demais.

Há algumas semanas, o Presidente da Républica, Cavaco Silva, vetou a Lei da Paridade que tinha sido aprovada pela Assembleia de República. Essa lei previa a exclusão das listas eleitorais que não cumprissem a quota de 33,3% de cada género. Cavaco Silva considerou essa sanção excessiva e de difícil cumprimento em certas zonas do país e vetou a lei. Parece não ser do seu agradado que se procure dignificar os direitos políticos das mulheres e aumentar a sua participação política através de «mecanismos sancionatórios» que, segundo ele, lhes concedem «um inadmissível estatuto de menoridade».

Menoridade? Mas a que propósito? Com que direito? Pois parece que continuamos a ter um país de velhos do Restelo, os tais dos "brandos costumes". Está mais que visto, em Portugal como noutros países, que sem políticas de paridade activas é muito dificil aumentar a participação feminina na política e mesmo noutras áreas. Ou como foi que os países escandinavos mudaram radicalmente? O mundo da política é um mundo de homens e no contexto familiar e social português actual, a participação das mulheres não está fácilitada. No entanto, quando em Portugal se propõem leis que tentam mudar as coisas, ser inovadoras, com o objectivo de tentar melhorar algo, alguns portugueses acham que não pode ser. É demasiado para os eles, um país de tão brandos costumes.

Com as alterações agora aprovadas, veremos se o Presidente volta a ter a coragem de vetar a lei. Nesse caso convirá lembrar-lhe que os portugueses escolheram um Parlamento para aprovar leis, para o bem e para o mal, durante quatro anos. E que temos um Governo para fazer propostas ao Parlamento e para governar. Já estamos fartos (eu em todo o caso) de morais e de brandos costumes de governantes que prestaram péssimo serviço ao país. Lembro-me por exemplo da Lei do Aborto que ridiculamente Portugal ainda não conseguiu aprovar, ou da regionalização, que alguns partidos escandalosamente diabolizaram. Basta de julgamentos morais, que deixem a moral em casa. E já agora também, de interesses partidários. Mas com os assessores conservadores que rodeiam o Presidente, quem sabe...

Mas, efectivamente, esta Lei da Paridade não resolve os problemas. Não basta fazer leis. Para que as mulheres portuguesas tenham uma participação maior na vida politica (e associativa) portuguesa o Estado deveria fazer algo mais para lhes facilitar a vida. Por exemplo, alargar o número de creches (jardins de infância) públicos, com horários que permitam às mães trabalhar e deixar os filhos em segurança. Em Lisboa, segundo um estudo recente, parece que aproximadamente 80% das creches são privadas, algumas com custos elevadíssimos para os pais. Isso não é aceitável. Como não é o numero crescente de colégios e de ensino privado (alguns caríssimos). Estas situações apenas contribuem para aumentar as já grandes disparidades sociais. Cada vez mais, apenas quem pode pagar tem acesso à (boa) educação. E o circulo vicioso não para. Haveria que começar aqui, criar mais creches públicas, escolas primárias públicas e espaços para actividades extra-curriculares dos jovens, que complementem o ensino público. Para que os pais, e as mães em particular (porque são em geral elas que mais sofrem) possam trabalhar e dedicar-se a outras actividades sabendo que os seus filhos estão bem. Aí aumenta-se a participação feminina e ao mesmo tempo dão-se oportunidades de educação a todos. Porque o país tem de aproveitar as potencialidades de todos da melhor forma e não se pode dar ao luxo de desperdiçar o tal capital humano!

E estas e outras medidas ajudariam bastante a que as mulheres pudessem ter uma participação mais activa. Continuando a ter filhos, entenda-se, porque o país não deseja certamente ver a taxa de natalidade e de fecundidade reduzir-se ainda mais.

30 juin 2006

Politics: Guantanamo - a reverse for the Bush administration

The Bush administration was dealt a blow yesterday when the Supreme Court of the United States ruled the special military tribunals illegal, by five votes against three. Those tribunals were created by the Bush administration as part of the "Global War on Terror", following the 11-September attacks. The Court considered that the administration had overstepped its authority in setting up the tribunals. The Congress was requested to intervene to establish a legal framework making it possible to judge the presumed terrorists being held prisoners at the American base of Guantanamo (Cuba) – some 450 at the moment. The US organisations of defence of human rights welcomed the decision of the Court, calling it a "victory" for the state of law.

Meanwhile, US President George Bush has continued to refuse ruling out military tribunals for inmates at Guantanamo Bay detention centre. And immediately after the Supreme Courts' decision, republican senators began planning how to win congressional approval for new tribunals. In its ruling, the court said military tribunals contravened both the Geneva Convention on the treatment of prisoners, and the US code of military justice. It also ruled that the tribunals were not expressly authorised by any congressional act, and there was no "sweeping mandate for the president to invoke military commissions whenever he deems them necessary".

The 'only' problem I see is that this detention centre and these "military courts" have been going on for four years now and in the meantime we've seen prisoners being tortured and mistreated without having access to the basic human rights. Is this democracy? Is this the kind of democracy and State of law that the american administration wants to impose in iraq and elsewhere?

As Mr Bush has recognised himself, "Guantanamo sends a signal to some of our friends [and enemies I would add] — provides an excuse, for example, to say the United States is not upholding the values that they're trying to encourage other countries to adhere to", but in the meantime Mr Bush was reelected and these people are still being held without charges.

See further bellow the article on the film "Road to Guantanamo" from British director Michael Winterbottom, which I've just seen and which I strongly recommend.

[FR]


Guantanamo : un revers pour l'administration Bush

"Hier, par cinq voix contre trois, la Cour suprême des Etats-Unis a jugé illégaux les tribunaux militaires d'exception créés par G. W. Bush dans la foulée des attentats du 11-Septembre, estimant qu'il avait outrepassé ses pouvoirs face aux "combattants ennemis". Le Congrès a été appelé à intervenir pour établir un cadre juridique permettant de juger les terroristes présumés détenus sur la base américaine de Guantanamo (Cuba). Les organisations US de défense des droits de l'homme ont salué la décision de la Cour, évoquant la "victoire" pour l'Etat de droit."
(lu dans Le Monde digital)

Cinema: Road to Guantanamo



The new film by Michael Winterbottom, "Road to Guantanamo" is the winner of the Silver bear at the Berlin international film festival. It is a terrifying account of the story of three British citizens who were held for two years without charges at the Guantanamo military base. Known as the "Tipton three" in reference to their hometown in Britain, the three would be finally released without any formal charges ever being laid against them. The film has created significant controversy due to its critical approach towards the British and American administrations.

Part documentary (interviews of the Tipton three nowadays), part fiction, the film shows the sequence of events from the moment when the group set off for the wedding of one of them in Pakistan, to their side trip to Afghanistan just as the US began their invasion, to their capture by the northern Alliance, their imprisonment in Afghanistan and transfer to Guantanamo. They would remain imprisoned there for two years, until evidence emerged that they were still in Britain at the time they were accused of having been at a rally with Osama bin Laden. The real Tipton Three tell their stories in interviews throughout the film, but the work's strength comes from juxtaposing those parts with the dramatic episodes in which actors play the men's ordeal, confusion and captivity in brutal detail. Winterbottom's perspective is quite precise. Early on, the film shows a clip from a joint news conference that President Bush and Prime Minister Tony Blair held in 2003. There, Mr. Bush says of Guantanamo prisoners: "The only thing I know for certain is that these are bad people, and we look forward to working closely with the Blair government to deal with the issue". At another clip Bush declared that those people are bad people and they do not share the same values as we do. The American military and Bush may be the film's "bad guys", but Winterbottom makes it clear that the Blair government is also complicit and British have done little to help the "Tipton three".

As the New York Times wrote, "Winterbottom (also the master director of works like “Welcome to Sarajevo” and "Tristram Shandy") places viewers in a world where one man at Guantánamo is kept outdoors in a chain-link cage, and another is shackled in a painful posture in a dark room and bombarded with loud noise. The film doesn't question the men's version of events, but it creates a believable story with staggering force."

The film also puts the accent in other aspects of the "war on terror" such as what we could call the "War on Language". One of the less noted aspects of the Bush Administration's "War on Terror" is the government's simultaneous War on Language, a "calculated use of Orwellian double speak". After 9-11, the invasion of other countries became a 'preemptive strike', the capture and torture of civilians became 'extraordinary rendition'. And in the film we can read the sign on the front of the US prison in Guantanamo Bay which reads 'Honor Bound to Defend Freedom'. Small comfort to the some 450 'unlawful combatants' who after four years still languish inside, without any access to basic human rights. Those running the prison decided to re-label suicide attempts as 'manipulative self-injurious behaviour' or 'SIBs', to euphemise still further. And when recently three prisoners committed suicide, Navy Rear Adm. Harry Harris, commander of Guantanamo, termed the suicides an act of 'asymmetrical warfare' against the United States…

The Department of Defense's attitude towards suicide attempts by Guantanamo's detainees is a particularly shocking example of the Bush's administration approach. Officially, only 41 attempts have been admitted by the US government. However, prisoners who have been released, claim that figure is laughably low. Recently three prisoners, two Saudis and a Yemeni, finally succeeded where so many before had failed, and took their own lives. Without access to family or lawyers, after over four years in US custody, they knotted bedsheets together and hung themselves from the grills above their cells. These suicides have contributed to increase national and international pressure from groups such as Amnesty International and Human Rights Watch to close the prison. European leaders have also renewed criticism of the facility and pressed the point with Bush when they met him in Vienna for the last European Union on June 21. But many European governments are also in the spotlight for having allegedly authorised illegal flights carrying prisoners from Afghanistan to Guantanamo and are even suspected of also having allowing secret illegal prisoner camps in their territory.

The White House says detainees are treated fairly and humanely, but lawyers for the detainees say they should be charged with crimes or released. So far, out of the nearly 800 detainees in Guantanamo, only ten have been charged with crimes and no one convicted.

To complete the story of the "Tipton three", a US District Court judge has ruled that they have the right to file a lawsuit against their US captors in Guantanamo Bay, Cuba. The 10 Million dollar lawsuit claims their treatment at the prison was in direct violation of their right under U.S. law to practice their religious faith. American lawyers plan to file to the lawsuit against Defense Secretary Donald Rumsfeld and 10 U.S. military commanders on behalf of their three British clients, Shafiq Rasul, Asif Iqbal and Rhuhel Ahmed. The judge ruled that the case falls within the jurisdiction granted by the Religious Freedom Restoration Act of 1993 and stated that the act, which covers all U.S. possessions and territories, also applies to the camps in Guantanamo Bay, Cuba.

28 juin 2006

Artes+Dança: ZERO DEGREES | SIDI LARBI & AKRAM KHAN


Les Ballets C de la B & Akram Khan Company + Produção CCB inserida no Festival de Almada + 5 e 6 de Julho 2006 + 21h + CCB, Grande Auditório

Vi a coreografia "
Zero degrees" em Bruxelas, no Palais des Beaux Arts, onde os dois coreógrafos têm apresentado alguns trabalhos e aconselho vivamente a quem tiver ocasião de os ver em Lisboa, no CCB (nos dias 5 e 6 de Julho) ou em Viseu (no dia 8).

Zero Degrees, é o resultado de uma estimulante colaboração entre os artistas
Akram Khan e Sidi Larbi, o escultor Antony Gormley e o compositor Nitin Sawhney. Akram Khan (coreógrafo britânico) e Sidi Larbi Cherkaoui (coreógrafo belga de origem marroquina) conheceram-se em 2000 e rapidamente descobriram laços comuns: ambos são oriundos de famílias de cultura islâmica, educados e a viver na Europa. Embora cada um tenha tido um percurso próprio e desenvolvido a sua própria linguagem de movimento, essa dualidade cultural tem sido tema central nos seus trabalhos.

Zero Degrees nasceu do desejo de criar algo em conjunto que ilustrasse a busca comum por um ponto de referência o "zero", explorando as fronteiras entre países e culturas e entre opostos: vida/morte, luz/escuridão, ordem/caos. A coreografia desenvolve-se como um dueto prolongado entre Khan e Larbi, num cenário transformado numa espécie de caixa cinzenta. As palavras das memórias de Khan marcam as cenas iniciais, dança e texto interagem durante toda a performance. Por momentos, Zero Degrees é um jogo pugilístico, tornando-se um suave clássico pas de deux para voltar a transformar-se numa exibição de artes marciais. O resultado é um elo forte entre os dois dançarinos, que, embora diferentes, em compleição e estilo, se tornam cada vez mais parecidos, ao longo da coreografia. Larbi é pálido e agitado, Khan é moreno e calmo, Khan dança com graça força e fluência, Larbi tem uma capacidade de contorcionista. Eles formam um dueto remarcável.

Este trabalho realiza-se na presença de esculturas do artista britânico Antony Gormley - conhecido sobretudo pela sua escultura The Angel of the North – e da música do compositor Nitin Sawhney, cujo som celebra a dualidade do encontro entre o Ocidente e o Oriente. Este quarteto impressionante produziu uma peça de dança contemporânea fascinante e com um estilo muito próprio, ilustrando as memórias das viagens de Khan. Há sete anos, Akram Khan viajou do Bangladesh para a Índia. Foi uma viagem inesquecível, por todas as más razões. Foi assediado por guardas fronteiriços corruptos, que lhe roubaram o passaporte, encontrou um homem morto numa carruagem de comboio, e sentiu-se incomodado pela indiferença das pessoas. Foram essas memórias que inspiraram claramente "Zero Degrees".

27 juin 2006

Politics: Paris c'est une autre histoire!

La lutte contre les discriminations, l'ouverture du mariage et l'adoption pour les personnes du même sexe étaient au centre des revendications de la Marche des fiertés gaies, lesbiennes, bi et trans, samedi 24 juin, à Paris. Au moins 800 000 personnes ont défilé selon les organisateurs (600 000 selon la préfecture). L'Inter-LGBT a opté, à dix mois de l'élection présidentielle, pour un mot d'ordre politique : "Pour l'égalité en 2007 !". En tête de cortège, plusieurs personnalités de gauche, dont François Hollande, premier secrétaire du Parti socialiste. A droite, aucun officiel n'avait fait le déplacement. Seul Jean-Luc Roméro (UMP) et le char du mouvement Gay Lib étaient présents. Mais en France comme ailleurs, les partis de droite ont déjà compris que ces luttes ne peuvent pas rester l'exclusif de la gauche et ne veulent plus perdre 10% des votes (je me rappelle d'une intelligente campagne de la droite suédoise appelant au vote pour "Mr Right", il y a quelques années déjà). A Paris la majorité des manifestants ont défilé discrètement, dans des tenues ordinaires. A New York, la Gay Pride a attiré, dimanche, un million de personnes. A Lisbonne, en comparaison, la marche aurait du avoir attiré environ 100.000 personnes, au moins. Mais la realité a été mille fois plus petite.

[Pt]

A luta contra as discriminações, a abertura do casamento e a adopção para as pessoas do mesmo sexo foram as reivindicações da marcha do orgulho gay no sábado 24 de Junho em Paris. Pelo menos 800.000 pessoas desfilaram (600.000 de acordo com prefeitura). A organização Inter-Lgbt (organização associativa de lésbicas, gays, bis e trans) optou, a dez meses da eleição presidencial francesa, por uma palavra de ordem política: "Pela igualdade em 2007!". Encabeçando o cortejo, várias personalidades de esquerda, François Hollande (chefe do Partido socialista). À direita, nenhuma grande figura, apenas estavam presentes Jean-Luc Roméro (UMP) e o carro do movimento Gay Lib (associação de direita). Mas em França como noutros países os partidos de direita já perceberam que estas lutas não podem apenas ser um feudo da esquerda e não querem prescindir de pelo menos 10% dos votos (lembro-me de uma inteligente campanha política da direita sueca há alguns anos pedindo o voto no "Mr Right"). Em Paris, a maioria dos manifestantes desfilou discretamente, sem exuberância. Em Nova Iorque, a Gay Pride atraiu, domingo, um milhão de pessoas. Em Lisboa, (comparativamente) deveria ter atraido pelo menos 100.000 ou mesmo mais manifestantes. Mas apenas conseguiu um milésimo disso.

[En]

The fight against discrimination, the opening up of marriage and the adoption for same sex couple were at the centre of the claims of the Gay pride in Paris Walk last Saturday, June 24. At least 800,000 people paraded according to the organizers (600,000 according to the prefecture). The Inter-LGBT association (lesbian, gay, bi and trans) chose, ten months before the presidential elections, a political motto: "For equality in 2007!". At the head of the parade, several left wing party figures, such as François Hollande, head of the socialist Party. On the right side, no officials were present, only Jean-Luc Roméro (UMP) and representatives of the right-wing association "Gay Lib". The majority of the demonstrators paraded discreetly, in ordinary clothing. In France as elsewhere, right wing parties have already grasped that these issues should not be property of the left and do not wish to loose some 10% of the votes (that reminds me of a clever political campaign in Sweden, a couple of years ago, asking for the vote in "Mr Right"). In New York, the Gay Pride attracted, last Sunday, one million people. In Lisbon, (comparatively) the parade should have attracted at least 100,000. However that figure was one thousand times smaller.

Politics: Gay Pride parade in Lisbon

(this text is a translation from the portuguese article bellow)

Sad. Portuguese people are sad. And they are also complacent and not politically committed. This is the conclusion that I can take of the Gay pride that took place last Saturday in Lisbon, starting off at Marques do Pombal square and finishing at Rossio, downtown. For two hours the few participants - some hundreds, maybe 1000 or just a bit more, paraded peacefully and discretely. There were also only few people watching the parade along the way, it failed to attract the curiosity of passer-bys. The participants were mostly young people with some veterans. But I did not see any public figures, no known politician, no members of Parliament, no representatives of political parties (not even from the Green party or the Bloco de Esquerda).
There were just some representatives of the "Juventude socialista", the young socialists, with a long banner. And people from the organisations which had organised the parade. I propose to call it "Gay shame parade" or "Gay sadness parade", from now on. It seems that in Portugal everyone is ashamed of their sexual orientation or ashamed to parade and defend the rights they claim for their social group. Even ashamed to party! I have already seen a couple of Gay prides in Europe but none as sad as this one.

Portuguese people prefer to go to the beach (although last Saturday that was not even an excuse because the weather was not good for the beach), to go shopping, to work out, go to a marriage, even go to work, or stay at home watching the Football world cup. Anything but parading in support of more social rights. By the way, none of my friends participated in this parade, all seemed to have more important things to do. But many people were planning to go to Madrid in the coming weekend for the local pride celebrations which last a whole week and attract millions (yes, millions!). But I can understand that, Spaniards do know how to party and are much more cool than the Portuguese. And they are also better organised and are socially and politically more committed.


There can be some possible justifications for this weak participation in the Lisbon parade. It could be that people are tired of these parades, but they started only in 2000 so that does not seem to be the reason. Maybe Portuguese don't like carnival and would prefer something more political and low key, but this was a quiet and peaceful parade, nothing to do with Paris' or Cologne's carnivalesque parades. Well, maybe this minority already enjoys all the social rights and equal rights to heterosexuals in the law (unions, gay marriage, right to adopt children, don't suffer from homophobia or discrimination). But no way, not at all. The only possibility is to have a legal union (some sort of contract between two individuals) but which does not solve a lot of open issues. Well, in conclusion, for me, the Portuguese are simply lazy and complacent and do not care. After all the gay community enjoys a lot of freedom and life (at least around Lisbon) is rather easy. As one woman, in a shop in Restauradores square put it, "the Portuguese are like this in all respects and that's why the country is in the present situation. People want to enjoy the benefits and the rights and live well but they prefer to let others fight for them". Maybe that's why the Portuguese endured 48 years of fascism quietly. Or maybe this is only a sign of lack of political maturity.

Well, each country, each city, have the Pride that they deserve and it seems that the Portuguese are not really proud of what they are, after all. Let's just be happy with the fact that this was a quiet, peaceful parade, with minimal police forces and which did not even attract extreme-right demonstrators. Also the effort of some associations should be praised, like Ilga Portugal, the "Panteras Rosas", the "Clube Safo" and “Não te prives”.

The weak publicity made in the media and newspapers to the event must also be pointed out. Last Saturday, the newspaper Publico only dedicated a few lines to the issue (with no heading) and talked mostly about the Oporto Pride event, coming up in July. And on Sunday, the same paper dedicated an entire page to the subject, but without an explicit heading. One article talked about "Giving visibility and solve concrete cases of homophobia" (talking about the work of the association “Panteras Rosa”, while the other focused on "Young Socialists defend access to adoption for same sex couples". Very limited as information and service, knowing that the motto of the parade was "Equality in the law and in the society" and that the demonstrators asked for same sex marriage and the right of adoption.

The Gay pride day finished with a party - the "Arraial Pride", in the Figueira Square just behind Rossio, downtown. The party was integrated in the city's festivities which take place around June. Although it occupied a rather small area in the square, it seems it was packed. All in all, the "alfacinhas" (Lisbon's inhabitants) seem to prefer parties, eating, drinking and dancing, to boring political parades where nothing happens.

Cidadania: o orgulho de ser português





A febre das bandeiras portuguesas, iniciada com o Euro 2004, voltou em força a Portugal. A bandeira portuguesa (algumas vezes junto com a brasileira) decora cada vez mais varandas, edificios, carros, t-shirts, etc, expressão de um orgulho nacionalista anteriormente sem expressão. É incrivel como um jogo de bola consegue ter uma repercursão tal no orgulho e auto-estima nacionalista de um povo. E é claro que Portugal não é caso isolado, mas parece ser um dos casos mais sérios (juntamente com a Itália e o Brasil, por exemplo). Isto apesar de já não estarmos na época dos 3 efes de má memória - fado, futebol e fátima. Ou será que estamos? Não sei quanto tempo a febre nacionalista vai durar ainda nem qual a repercussão que pode ter na felicidade e qualidade de vida dos portugueses e na economia portuguesa em geral. Mas parece que a onda nacionalista de 2004 não teve grandes repercussões na auto-estima, pois a produtividade não aumentou e a economia continua no marasmo. Mas de momento, a alegria efémera das vitórias do mundial vão dando para manter a malta feliz. Até quando?

Cidadania: As fotos da marcha do orgulho gay de Lisboa





(english version of the text follows)

26 juin 2006

Cidadania: A triste marcha do orgulho LGBT em Lisboa

Tristes. Os portugueses são tristes. Além de comodistas e pouco empenhados politicamente. Esta é a conclusão que se pode tirar da marcha do orgulho gay (ou Gay pride) que no sábado passado decorreu em Lisboa desde o Marquês do Pombal até ao Rossio. Durante cerca de duas horas os poucos manifestantes desfilaram pacificamente – umas centenas, 1000 talvez, ou pouco mais. Havia pouco público e o desfile nem atraiu a curiosidade dos transeuntes. Eram essencialmente jovens com alguns seniores à mistura. Não havia figuras políticas nem públicas conhecidas. Presidente da Câmara, membros do parlamento, representantes (conhecidos) dos partidos (nem que fosse dos verdes apenas ou do Bloco de Esquerda…)?Nada, ninguém. Eu pelo menos não dei por nada. Apenas alguns representantes da Juventude Socialista, os únicos que empunhavam um cartaz longo, para além de algumas associações (as que organizavam a marcha) e pouco mais. Em vez da Marcha do Orgulho gay proponho que se passe a chamar marcha da tristeza e vergonha gay. Sim, porque em Portugal parece que todos têm vergonha da sua sexualidade, de ser cidadãos ou até mesmo de se manisfestar, de participar, de fazer a festa! Já vi algumas gay prides em algumas cidades mas algo tão triste assim nunca. Os portugueses preferem ir à praia (e no sábado nem sequer podia ser uma desculpa porque não estava tempo de praia), fazer compras, aos shoppings, à ginástica, a casamentos, trabalhar, ficar em casa a ver o Campeonato do Mundo de futebol, tudo menos ir manifestar pelos direitos de uma minoria. Aliás nenhum dos meus amigos participava nesta marcha, todos tinham coisas mais importantes para fazer. Mas muita gente pensava ir até Madrid no próximo fim de semana, para ir aos festejos da Semana da Gay pride madrilena (sim, lá é toda uma semana de acontecimentos). Eu compreendo, os espanhóis sim, sabem fazer a festa como deve ser. E são política e socialmente bem mais empenhados (engagés) do que os portugueses. Há várias justificações possíveis para este fraco empenho político e participação. Poder-se-ia pensar que já houve muitas marchas e que as pessoas estão fartas de manifestar. Não é o caso, apenas se organizam desde 2000. Poder-se-ia pensar que estão fartos de Carnavais e prefeririam algo mais calmo. Nada disso, nada de carros de desfile tipo carnavalesco como em Paris ou noutras cidades, tudo bem pacato (pobrezinho e triste). Poder-se-ia pensar que a minoria em causa já usufrui de todos os direitos sociais que tem reclamado, como por exemplo uniões de facto, casamento homossexual, direito de adopção, que não há casos de homofobia, etc. Nada disso tampouco. Apenas existe uma lei de uniões entre dois quaisquer indivíduos que se pode aplicar a homossexuais mas que não resolve muitos problemas e situações. A conclusão, para mim, é que os portugueses são comodistas e pouco empenhados politicamente.

Como dizia uma senhora, numa loja dos restauradores, em conversa, “os portugueses são assim em tudo, e é por isso que o país está como está. Querem os benefícios e os direitos mas preferem que os outros dêem o corpo ao manifesto por eles, os outros que lutem”. Será por isso que aguentámos estoicamente 48 anos de fascismo? Enfim, cada país, cada cidade tem o Orgulho que merece e parece que os portugueses não têm muito orgulho.Enfim, congratulemo-nos pelo facto de ter sido um marcha calma e pacífica, com pouco aparato policial e que nem sequer atraiu elementos de extrema-direita. Valha-nos isso e o esforço de algumas organizações estóicas, como a Ilga Portugal, as Panteras Rosas, o Clube Safo e a associação “Não te prives”.

Deve-se também salientar a fraca publicidade que os jornais e órgãos de comunicação deram ao acontecimento. No sábado, o jornal Publico dedicava algumas poucas linhas num cantinho e falava sobretudo na próxima Gay pride do Porto, apenas mencionando en passant a marcha de Lisboa. Como exemplo, no domingo o Publico dedicou uma pagina inteira ao tema, mas nenhum título mencionava abertamente da Marcha do Orgulho Gay. Apenas incluía dois artigos, um sobre “Dar visibilidade e resolver casos concretos de Homofobia” (como objectivos de um colectivo denominado “Panteras Rosa”, não como reivindicação da marcha…) Aliás pouco falaram disso! O outro artigo tinha o título “Distrital da JS defende acesso à adopção por casais do mesmo sexo” e nele se falava um pouco mais da “marcha LGBT contra a homofobia e a discriminação”. Muito redutor, quando o lema da marcha era “Igualdade na lei e na sociedade” e os manifestantes reivindicavam o casamento homossexual e o direito adopção.

A “marcha” terminava com uma festa – o “Arraial Pride”, na Praça da Figueira, ali ao lado do Rossio, festa integrada nas festas de Lisboa, como as marchas populares (outras que necessitam renovação). Embora a área fosse pequena essa festa parece que encheu. Parece que os alfacinhas preferem as festas, os comes e bebes, a música, à obrigação de se manifestar politicamente. Valha-nos isso.

Citoyenneté: "Marche des fiertés" homosexuelles à Paris


20 juin 2006

Gay pride Lisboa 24 de Junho (versão em português)

No proximo sábado 24 de Junho é dia de Orgulho gay em Lisboa!

De Maio a Julho e Agosto são os meses do "orgulho gay" (pride em inglês) no mundo inteiro. Agora chegou o momento de festejar em Lisboa com a parada "gay pride" portuguesa. O desfile terá lugar em Lisboa, começando na Praça Marquês de Pombal às 15 de sábado, continuando pela Avenida da Liberdade até ao Rossio. Seguir-se-á uma festa (a conhecida "Arraial pride"), das 18 às 2 da manhã, na praça da Figueira, mesmo ao lado do Rossio. O tema para 2006 (MANIFESTO 2006) é "Prioridade à igualdade na Lei e na sociedade". Depois de na vizinha Espanha os gays terem alcançado o direito ao casamento no ano passado, a discussão começou também em Portugal, tendo as associações portuguesas começado a interpelar os partidos políticos para que o tema seja discutido no Parlamento. Por questões de política interna esta questão não será discutida provavelmente durante algum tempo e não antes de que a questão do aborto, mais importante e premente, seja resolvida como devia ter sido feito há alguns anos (hipocrisia nacional empêche…). Algumas pessoas e partidos argumentam que sociedade portuguesa não está ainda madura para o casamento entre individuos do mesmo sexo, mas tal parece ser uma desculpa por parte dos partidos conservadores, pois o tema é debatido abertamente na sociedade, que evoluiu muito desde a revolução de 1975.

Lisboa não tem no entanto uma grande tradição de marchas do "orgulho gay", no máximo uns dez anos se tanto. E essas manifestações não costumam atrair grandes multidões. As festas (arraial) atraem contudo mais pessoas (sim, os portugueses parecem preferir as festas mais do que participar em manifestações ou em ser activos politicamente). Em anos anteriores (com uma Câmara Municipal mais conservadora) o Arraial tinha sido relegado para um parque isolado, de difícil acessibilidade (para Monsanto). Este ano é a primeira vez que terá lugar na baixa da cidade. Será curioso ver se funcionará no novo local ou se os portugueses preferirão ficar em frente dos televisores vendo o Campeonato do Mundo de futebol…

Em qualquer caso o "Gay pride" não competirá com outras marchas bem mais desenvolvidas na Europa, tal como as de Madrid, Paris, Colónia, Berlim, Londres, para não mencionar as norte-americanas ou a de S. Paulo no Brasil. Contudo Lisboa tem conseguido atrair cada vez mais gays (turistas), desde o fim dos anos noventa. E poderia atrair ainda muitos mais, se as autoridades compreendessem finalmente, como outras grandes cidades compreenderam, a importância desse segmento do mercado turístico (o
Turismo de Londres por exemplo faz campanhas para atrair turistas gays de todo o mundo). Algo impensável na pacatez lisboeta? Talvez não.

Um pouco de História

Tudo começou em Junho de 1969, quando um grupo de gays causaram disturbios e se revoltaram em resposta a raids policiais a bares – e Stonewall em particular (em Christopher Street) – em Nova Iorque. Esses motins foram considerados como o início do movimento moderno dos direitos gays, pois foi a primeira vez na História moderna, que um grupo significativo de pessoas LGBT (lésbica, gay (homossexual), bissexual e transsexual) resistiu à detenção e a raids policiais. A primeira marcha terá tido lugar em S. Francisco em 1970 e estas marchas foram repetidas nos anos seguintes. Marchas semelhantes começaram a ser realizadas, inicialmente nos EUA e mais tarde na Europa e um pouco por todo o mundo. As marchas tornaram-se conhecidas como as "gay prides" ou do orgulho gay. As marchas do orgulho gay têm basicamente três objectivos principais: mostrar que os individuos gays deveriam estar orgulhosos pela sua orientação sexual e não sentir-se complexados, mostrar que existe uma diversidade sexual real e finalmente, que essa identidade de orientação sexual e de género é inata e natural, não podendo nem devendo ser intencionalmente alterada. Muitas vezes essas marchas transformaram-se em paradas de tipo Carnaval, tendo muitas vezes a reivindicação social e política sido relegada para segundoplano, embora isso varie muito de cidade para cidade. Em qualquer caso o objectivo é celebrar a diversidade humana e o direito de viver livremente a orientação de cada indivíduo.

Ultimamente em muitas cidades e países os "Gay prides" e tudo o que acontece à sua volta, transformaram-se num negócio rentável, como aliás se tem tornado o "turismo gay". Com o tempo, a indústria do turismo tomou consciencia das receitas geradas por este novo segmento de mercado, e começou a explorar o novo "filão" conjuntamente com organizações gays e lançando campanhas turísticas conjuntamente. Essa industria atingiu já bastante maturidade em alguns países e cidades, e inclui agentes e operadores de viagens, empresas de publicidade, linhas de cruzeiro e empresas de promoções que comercializam certos destinos a gays. Muitas administrações locais em muitas cidades compreenderam a importância deste negócio e juntaram-se aos operadores turísticos. Cidades como Amesterdão, Paris, Londres, Barcelona, Nova Iorque, S. Francisco, Buenos Aires ou Sidney têm assim atraído partes de mercado importantes do turismo gay (se assim se pode chamar) bem como alguns locais de veraneio estivais como Mykonos, Sitges, Ibiza, Miami, Rio De Janeiro, etc.. De acordo com a empresa Tourism Intelligence international (2000), algo como 10% dos turistas internacionais são gays e/ou lésbicas, com mais de 70 milhões de chegadas no mundo inteiro. Este segmento importante de mercado continua a crescer como consequência de uma mudança mundial de atitude em relação à homossexualidade. Calcula-se que os turistas gays americanos geram aproximadamente $54,1 biliões por ano - mais de 10% da indústria de turismo nos EUA.

As gay prides (as marchas de orgulho gay)

Assim, de Maio a Setembro, as principais cidades do mundo (e algumas secundárias em países como a França, Reino Unido, EUA e Alemanha) tornam-se anfitriões de variadíssimas gay prides, para todos os gostos. Na Europa há um "Europride" cada ano, sendo designada uma cidade com uma tradição de abertura, tolerância e "gay-friendliness". Em 2006 o Europride terá lugar em Londres, no sábado 1 de Julho, o Europride 2007 será hospedado por Madrid e o Europride 2008 será em Estocolmo (Suécia).

Este ano já assitimos à proibição da marcha gay em Moscovo, pelo Presidente da Câmara conservador, (ver artigo em 'post' anterior) - em 27. A marcha dos "dias da igualdade" tiveram também já lugar em Varsóvia de 9 a 11 de Junho, tendo apenas contado com cerca de 3.000 participantes (e tendo sido apoiado por muitas personalidades que lá foram dar apoio, de outros países europeus) e "guardados" por cerca de 2.000 forças policiais (a Polónia actual conhecia uma homofobia importante e o Governo de ultra-direita não ajuda nada). Em Colónia, na Alemanha, a Gay pride terá lugar a 16 de Julho, em S. Paulo no Brasil, foi no passado 17 de Junho, tendo reunido cerca de 3 milhões de pessoas! O tema deste ano era "Homofobia é Crime! Direitos Sexuais são Direitos Humanos". Reunir tantos milhões é apenas possível no país de carnaval! Mas outra cidade de carnaval - Colónia - atrai igualmente uma grande multidão e o orgulho gay faz parte do calendário de festividades anual da cidade. Para atrair uma multidão correspondente (cerca de 17% da população total da cidade), Lisboa teria de atrair no próximo sábado cerca de 250.000 pessoas… mas não se esperam tantos… se o tempo estiver de praia ainda pior…

Então de que estão à espera? Vejam os vôos das companhias locais de "low cost" (algumas das quais visam em certas campanhas publicitarias públicos explicitamente gays como a Virgin Express por exemplo) e/ou as ligações dos comboios de Alta Velocidade e partam para Gay pride mais proxima! Ainda estão a tempo de ir a Lisboa, onde poderão igualmente descobrir
uma cidade quente, acolhedora e que oferece um clima excelente, vida de praia, muita cultura, boa gastronomia, shopping e entretenimento para todos os gostos e bolsas!


[para os links ver versão inglesa...]

Gay Pride Lisboa / Lisbon on 24 June


Saturday June, 24, is Gay pride in Lisbon Portugal. June and July are Gay pride months throughout the world. Most gay prides start in May and continue through September. Now the time has come for the biggest portuguese Gay parade. The National Gay and Lesbian Pride March wil take place in Lisbon, starting from Sq Marquês de Pombal at 15.00, through Avenida da Liberdade down to Rossio. It will be followed by a party (called “Arraial pride”) from 18.00 to 2.00 at Praça da Figueira (Rossio) in downtown Lisbon. The theme for 2006 (MANIFESTO 2006) is “priority to equal rights in law and society” (Prioridade à igualdade na Lei e na sociedade). After Spain gay community got marriage last year the portuguese associations also started to request the issue to be dealt by the Parliament. Due to the internal political agenda this issue will probably not be discussed before a couple of years and certainly not before abortion finally gets through. Some people argue that portuguese society is not yet mature for gay marriage, however that is an excuse from right wing parties.

Gay prides in Lisbon do not have a long tradition, some ten years maximum and they do not usually attract big crowds. The parties however attract already more people (yes, the portuguese prefer to party instead of demonstrating and engaging politically…). In the previous years (under previous right wing city Government) the Gay party (Arraial) had even been transferred to an isolated park, of difficult accessibility. This year it’s the first time it will take place downtown. Remains to be seen if that works or whether the portuguese will prefer to remain in front of their TV sets watching World cup games...

In any case Lisbon’s pride will not be competing with other more mature marches throughout Europe such as those from Madrid, Paris, Cologne, Berlin, London not to mention north American ones and that of S. Paulo in Brasil. However Lisbon has been able to attract a growing gay crowd, as tourism destination, since the end of the nineties. And it could do much better, would the authorities understand the importance of that market segment…

A bit of history

It all started in June 1969, when a group of gay/ queer people rioted following a police raid on the Stonewall Inn, a gay bar in New York City. The Stonewall riots are generally considered as the beginning of the modern gay rights movement, as it was the first time in modern history that a significant body of LGBT (Lesbian, gay, bisexual and transgender) people resisted arrest. These marches were repeated in the following years, and over the years similar marches began to be held in other cities in the US and later in Europe and other places throughout the world. The marches became known as Gay Pride marches.


The gay pride marches of the gay rights movement have basically three main premises: that people should be proud of what they are, that sexual diversity is a gift, and that sexual orientation and gender identity are inherent, natural, and cannot be intentionally altered. Most marches have turned into Carnival-like parades where political issues and themes have become nearly secondary but this varies from place to place and in any case the objective is to celebrate diversity and the right to live freely each one’s sexual orientation!

Lately in many places “Gay prides” and celebrations around them, have turned into a profitable business, as has “gay tourism”. With time, the travel and tourism industry have become aware of the substantial money generated by this marketing "niche", and have explored the new market together with the gay community and gay tourism campaigns. As a tourism industry it has some maturity in some countries, and includes travel agents, tour companies, cruise lines and travel advertising and promotions companies who market certain destinations to gays. Many local governments in many cities have understood the importance of this business and have helped tourist agents do the job. Cities like Amsterdam, Paris, Barcelona, New York, S. Francisco, Buenos Aires or Sidney were been able to attract important shares of gay tourism as well as some beach resorts like Mykonos, Sitges, Ibiza, Miami, Rio, etc. According to Tourism Intelligence International (2000), some 10% of international tourists are gay or lesbians, accounting for more than 70 million arrivals worldwide. This important market segment is continuing to grow as a result of a change in world-wide attitudes to homosexuality. American gay and lesbian tourists alone are estimated to generate $54.1 bn a year— more than 10% of the total US travel industry.

The Gay Prides

So from May through September, most major cities (and other smaller in many countries like France, the UK, the US and Germany) host their gay prides, parades, marches, etc. In Europe there is a “
Europride” hosted by a different European city each year. In 2006 it will be hosted by London on Saturday, July 1. Europride 2007 will be hosted by Madrid and Europride 2008 will be hosted by Stockholm (Sweden). They’re usually hosted in very friendly and open cities.

This year we already saw Moscow’s Pride being banned by the city’s conservative mayor (see previous article in the blog) - last 27 May - and demonstrators being beaten by extreme right people. The “Equality Days” also took place in Warsaw last 9-11 June. It only had some 3,000 participants (and was supported by many people coming from other european countries) and around 2,000 police forces to prevent clashes. In
Cologne it will take place on 16th July 2006, in Brasil’s S. Paulo, last 17 of June, gathering some 3 million people! This year’s Theme was “Homophobia is a crime! Sexual rights are Human rights” (Homofobia é Crime! Direitos Sexuais são Direitos Humanos).
Gathering so many millions is only possible in the country of Carnival! But another carnival city – Cologne – also attracts a big crowd and the Gay pride is part of the city’s yearly festivity calendar! To attract a corresponding crowd (some 17% of the city's population), Lisbon would have to attract some 250,000 people next saturday... but of course that's dreaming...


So what are you waiting for? Check your local low-cost flights and/or HST connections and head to the nearest Pride! And you’re still on time to come to Lisbon, where you’ll also be able to discover a welcoming warm city offering a nice climate, beachlife, culture and entertainment for all tastes and purses!

[versão em português segue dentro de momentos...]

19 juin 2006

Sigur Ros

Interesting video from Youtube.com ! Enjoy!

14 juin 2006

Music: Gadget of the year, Ion's MP3-ripping turntable with USB Output



Ion has created a solution for digitizing our record collection into MP3 with the Turntable USB.
The digital music revolution seems to have affected all age groups - with our mother being as likely to listen to her iPod while cooking as that annoying teenager is to be rocking his walkman-phone in the subway.

But now all that will become even more fun, since ION has created a solution to rip our old (and less old...) vinyl into MP3s or CDs (and than directly into our iPods…). Ion's turntable will do that and let also let us mix our own set! It comes straight from California and claims to be the first of its kind, although TEAC's GF-350 system also seem to allow to burn our old vinyl LPs and singles onto CD without the need for a PC. But Ion's turntable seems to be very user-friendly and is easy to use as an ordinary USB audio device, with no annoying drivers necessary. Non-techies can also use this turntable sans PC with the built-in RCA outputs, but the real draw here is the high-speed USB recording feature. Plus it offers mixing possibilities, supports 33 1/3 and 45 rpm, has anti-skating control, adjustable pitch control (+/- 8%) and that output for hooking it up to our home stereo. Its software is compatible with Windows 98, 2000, XP and Mac OS9 or greater.

Now the problem seems to be where to get it… In Belgium it seems that
Exell will have it (for a bit more than 150 €), the question is when since it seems to be sold out… or you can try to get it from the net. It is also available at Amazon.com at around $140. I can't wait to get it...

09 juin 2006

Music: Musicovery

Great website to check: musicovery. Check it!
I think it comes from France (Sacem, etc) and it's really fantastic!

Cidadania: o fim anunciado do tabaco

Vasco Pulido Valente, no jornal Público, compara a Europa e o dr. Correia de Campos, Ministro da Saúde, a Hitler, por quererem proibir o tabaco em locais públicos. Utiliza mesmo as palavras "fanático" e "tirano". Mas não é o único a fazê-lo. Há muitos outros fumadores em Portugal que, apoiados em variadíssimos estudos (sabe-se lá de que universidades), estimam que não, que fumar não é assim tão perigoso para a saúde e que portanto, podem continuar a impôr o seu fumo aos não fumadores. Fumadores esses que deverão continuar a resignar-se. Para eles qualquer proibição é "fascismo", é privação da sua liberdade (deles) de fumar, quando quiserem e onde lhes der na gana.

Mas já não há pachorra para este discurso. Nem tal é políticamente correcto. Mas Vasco Pulido Valente e muitas outras pessoas em Portugal não gostem muito do "políticamente correcto", não lhes convém. Mas é a única forma possível de os indivíduos respeitarem os outros e se respeitarem uns aos outros, em democracia. Mas chamemos-lhe "éticamente correcto" e esqueçamos o político.

Mas afinal, o que está em causa? Primeiro, para o cidadão comum, o que está em causa é poder respirar o ar o mais puro possível. O cidadão comum que apenas respira não impõe nada a ninguém, não obriga ninguém a nada, respirar é um acto vital para todo o ser humano. O que acontece é que durante décadas, e sobretudo desde a industrialização do fabrico de cigarros e da tirania das grandes multinacionais tabaqueiras, os cidadãos que não fumavam foram obrigados a respirar, (em particular em locais fechados), o fumo do tabaco causado pelos fumadores, em cafés, restaurantes, cinemas, hotéis, estações de comboios, aeroportos, aviões, e em qualquer local público. Apesar de haver inúmeros estudos que provaram que muitos milhares de pessoas morrem por ano como consequência de terem sido fumadores passivos (já nem falo naqueles que morrem por terem sido fumadores activos), não é apenas a saúde que está em causa. Não são apenas os riscos de se ser fumador passivo. É o direito, como cidadão, de não ter que respirar o ar que alguém decide poluir e nos impõe respirar. Assim como eu não quero estar num local malcheiroso, putrefacto, também não gosto de estar num local cheio de fumo de tabaco. É um direito elementar. Alguém contesta?

Segundo, cada qual que fume onde quiser, cada qual tem a liberdade de fumar o que quiser onde quiser, desde que não imponha o seu fumo aos outros que não o desejam. Segundo esta lógica, os cafés, restaurantes, etc, poderiam dispor de espaços para fumadores aonde iriam apenas aqueles que o desejassem. Ninguém seria obrigado a nada, portanto. Claro, com a separação física adequada, isso de haver um "cantinho fumador" espalhando-se o fumo a todo o lado não vale. Até aqui tudo bem, mas, será mesmo assim? Será que isto é aceitável? Será que as autoridades públicas, ao impedir mesmo os locais especiais para fumadores, estão a defender a saúde pública? De certa forma sim. Mas estão também a proteger as finanças públicas. Sabendo-se os custos de tratamento e de hospitalização de doentes com patologias causadas pelo tabaco, ao proibir o tabaco em locais públicos, o Estado contribuirá a que se fume menos e consequentemente à redução das doenças causadas pelo tabaco. Boa gestão, poupança. Outra possibilidade seria a de excluir os custos relativos a doenças causadas pelo tabaco do reembolso das caixas e seguros de saúde. Mas isso seria muito dificil e poderia ser contestado, sobretudo quando nem sempre se pode estabelecer uma relação causa-efeito directa. Mas, ao proibir o tabaco em locais públicos reduz-se consideravelmente o consumo de tabaco e, como provam os estudos em países onde tal foi feito, contribui-se substancialmente para o abandono do tabaco (muitas pessoas esperam mesmo por estas medidas como estímulo ao abandono).

Em conclusão, a proibição de fumar em locais públicos não é nenhuma privação de liberdade individual. Os cidadãos que o desejam poderão continuar a ter o privilégio de fumar em suas casas e até nas ruas e no campo (por enquanto…). O mesmo privilégio não têm aqueles que fumam marijuana ou haxixe, que, segundo parece, são menos nocivos para a saúde. Trata-se apenas de uma medida de justiça para com todos aqueles que, como eu, não fumam, mas que têm que respirar o ar viciado imposto por todos aqueles que fumam, em variadíssimos lugares. Certamente que não são estas medidas que vão desenvolver o país, criar postos de trabalho e melhorar o nível de vida dos portugueses. Mas podem contribuir para melhorar a qualidade de vida de muitos. E são simplesmente justas. Por isso, que venha essa proibição!