
Mas vejamos a evolução estatística entre o “antes” e o “hoje” (ver semanário Expresso, de 24/3/07). O saldo migratório passou de -26.949 a 47.229 (antes os portugueses emigravam, nos últimos anos o país tem atraído imensos imigrantes (de Africa, Brasil, Ucrânia, Roménia, Bulgária, etc). A esperança de vida dos homens passou de 70,3 a 74,5 anos e a das mulheres de 77,1 a 81, estando na média da Europa dos 15. A mortalidade infantil passou de mais de 15 por 1000 nados-vivos a 4, melhor do que a média europeia. Ao mesmo tempo a fecundidade (n° médio de crianças por mulher) passou de 1,7 a 1,4 (o que é preocupante pois o valor que permite que não haja um decréscimo natural da população é de 2,1). O analfabetismo passou de 30% para 8% hoje em dia, ligeiramente abaixo da média europeia, mas bem melhor!. O número de estudantes no ensino superior explodiu, de 102 (por 1000 pessoas em idade escolar) a 400 (e com predominância feminina!). A participação da mulher na economia activa também aumentou muito sendo das mais altas na Europa. A taxa de escolarização do ensino secundário passou de 17,8% a 62,5% (embora a taxa de abandono escolar continue a ser das mais elevadas na EU, junto com Malta). A extensão das auto-estradas passou de 196 kms a 2.091 kms (e densidade acima da média europeia). O número de médicos passou de 2,3 a 3,3 (por mil habitantes) ainda abaixo da média europeia, mas o número de camas de hospital ainda é de apenas 365 (por 100.000 habitantes, para uma média europeia de 639). O número de automóveis passou de cerca de 170 a 558 (por 1000 habitantes), valor acima da média europeia (e um mau investimento…). Portugal tem valores de penetração de telemóveis também acima dos valores médios (mais de 100/100 habitantes), enquanto a percentagem de lares com acesso a internet apenas seja de 35% (média europeia de 51%) e o acesso a banda larga é de 13% (média europeia de 14.8%). Se as despesas públicas em saúde aumentaram de 4 a 6,5% do PIB, e o próprio PIB/capita se multiplicou por seis (embora ainda esteja a pouco mais de 70% da média europeia, pois o crescimento tem praticamente estagnado desde 2000), as despesas de protecção social ainda estão abaixo da média europeia (2.967 €/habitante para uma média de 5.772), assim como as despesas em I+D (investigação e desenvolvimento tecnológico) - 0,78% do PIB contra 1,92 na UE (tendo a UE fixado o objectivo de 3% segundo os objectivos de crescimento de Lisboa, para 2010).
Efectivamente o nível e a qualidade de vida aumentaram significativa e visivelmente em Portugal. É evidente. A mobilidade e acessibilidade aos transportes, o abastecimento de água, o tratamento de águas residuais (embora ainda algo haja por fazer), e tantas outras coisas.
Basta dizer que Portugal foi (depois da Irlanda) o país europeu em que o indicador de desenvolvimento humano das nações Unidas mais cresceu entre 1975 e 2003 (ver gráficos) – HDI - (indicador composto que tem em conta a taxa de escolaridade, a riqueza do PIB per capita em paridade de poder de compra e a esperança de vida). Isso é bastante significativo e dá uma ideia do grande desenvolvimento de Portugal.
E porque o desenvolvimento e a qualidade de vida não se resumem a dados estatísticos, Francisco Sarsfield Cabral indicou os cinco factos mais positivos e mais negativos da integração europeia (ver Expresso de 24/3/07). Citou como positivos a estabilidade política, a melhoria da defesa do consumidor (normas de protecção), a abolição de fronteiras, a concorrência como factor positivo para a economia e a introdução do Euro (impondo limites às finanças públicas). Como negativos mencionou a “subsidodependência” (muitos investimentos mas nem sempre bem aproveitados, como por exemplo os Fundos para formação profissional do Fundo Social europeu), a falta de estratégia para o país na utilização dos Fundos europeus (veja-se a Irlanda), o alargamento da UE para leste colocando Portugal numa posição mais periférica, a corrupção causada em parte pela “caça” aos fundos europeus (efectivamente segundo Transparency international, a percepção da corrupção aumentou em Portugal). E termina com o “alheamento”, pois em Portugal já quase não se fala de Europa, nem mesmo nas campanhas eleitorais.
E eu completaria ainda com a consolidação da democracia, que se deu efectivamente em Portugal, como o atestou o Economist na última edição da sua revista “The world in 2007”, ("A pause in democracy's march") estando Portugal na média europeia, acima de países como a Bélgica, a Itália ou a Grécia e de todos os países do leste europeu.
Afinal, motivos suficientes para que os portugueses estejam orgulhosos e confiantes no futuro.
Effectively the standard and quality of living has increased significantly and visibly in Portugal. Mobility and accessibility to transport, water supply, waste water treatment, etc, even though a lot certainly remains to be done.
It is revealing to know that Portugal was (after Ireland) the European country where the United Nations’ indicator of human development – HDI – has increased most between 1975 and 2003 (see graphics). The HDI indicator takes into account the education level, life expectancy and the GDP per head level.
Yet development and quality of life cannot be limited to figures, and Francisco Sarsfield Cabral has summarised the five most positive and five most negative consequences of Portugal’s European integration (see Express of 24/3/07). He named political stability, the improvement of consumer protection, the dismantlement of borders, the economic competition and the introduction of the Euro (imposing strict limits to public finances). As negative he mentioned the "subsidy-dependency" (many investments but nor always used in the best way), the lack of economic development strategy to make the best use of the European structural funds. Also the enlargement of the EU towards the east, meaning that Portugal is more peripheral nowadays. The corruption caused partly to "chase" European funds (according to Transparency international, the perception of corruption in Portugal has indeed increased, although it is far from being one of the worst in Europe). And he ends with the "indifference” as regards Europe, which is not anymore an issue of debate, not even in political campaigns.
























